RELEASE DE IMPRENSA • PETRÓPOLIS, 19 DE SETEMBRO DE 2026

Palestra na Academia Aeróbica reuniu um público numeroso para discutir saúde metabólica, diabetes e exercício físico.

Pesquisador da York University, no Canadá, Dr. Rolando Ceddia, apresentou como músculo, tecido adiposo e outros órgãos participam do controle energético e porque o exercício físico ocupa papel central na saúde metabólica.

PETRÓPOLIS (RJ) — A relação entre metabolismo, exercício físico e doenças crônicas foi o centro de uma palestra do pesquisador brasileiro Dr. Rolando Ceddia, realizada na Academia Aeróbica, em Petrópolis. O encontro reuniu um público numeroso e contou com a participação dos alunos da academia e profissionais da area da saúde de Petrópolis e do Rio de Janeiro.

Foto 📸 com o público presente

Professor associado da School of Kinesiology & Health Science da York University, no Canadá, e pesquisador do Muscle Health Research Centre, Ceddia estuda os mecanismos fisiológicos e moleculares que regulam o metabolismo de glicose e ácidos graxos no músculo esquelético e no tecido adiposo, com foco nas alterações associadas à obesidade e ao diabetes tipo 2.

Diabetes tipo 2 como doença de múltiplos órgãos

Um dos pontos apresentados foi que o diabetes tipo 2 não pode ser entendido apenas como “açúcar alto no sangue” ou como uma falha isolada do pâncreas. A palestra mostrou o caráter sistêmico da doença, envolvendo diferentes órgãos e tecidos:

👉 Aumento da produção hepática de glicose,

👉 Redução da captação de glicose pelo músculo,

👉 Maior liberação de ácidos graxos pelo tecido adiposo,

👉 Alterações na secreção de insulina e glucagon,

👉 Menor efeito das incretinas e mudanças também no rim e no sistema nervoso central.

Nesse cenário, a resistência à insulina aparece como um elo importante entre diferentes alterações metabólicas. Quando os tecidos respondem menos ao sinal da insulina, o organismo tenta compensar esse desequilíbrio.

Ao longo do tempo, podem coexistir hiperinsulinemia, hiperglicemia e dislipidemia, além de processos associados à lipotoxicidade, ao estresse oxidativo e à disfunção mitocondrial.

Flexibilidade metabólica: adaptar o combustível à demanda

Outro conceito central foi o de flexibilidade metabólica: a capacidade do organismo de adaptar o uso de seus combustíveis de acordo com a disponibilidade de nutrientes e com a demanda energética.

Em repouso, alimentação, jejum ou exercício, um metabolismo saudável ajusta de forma dinâmica a utilização de carboidratos e gorduras. Quando essa adaptação se perde, aumenta a dificuldade de direcionar adequadamente os substratos energéticos, favorecendo desequilíbrios que podem acompanhar a resistência à insulina.

É justamente nesse ponto que o exercício físico ganha relevância. A contração muscular aumenta a demanda por energia e favorece a utilização de glicose e ácidos graxos. Com a prática regular, o músculo melhora sua capacidade de captar e utilizar glicose, amplia a capacidade oxidativa e torna mais eficiente o gerenciamento dos combustíveis disponíveis.

A mensagem prática é que o exercício não atua apenas aumentando o gasto calórico: ele modifica a forma como o organismo capta, armazena e utiliza energia.

Ciência aplicada ao cotidiano

A discussão dialoga diretamente com a trajetória científica de Ceddia, que investiga o particionamento de substratos – o destino dado à glicose e aos lipídios dentro dos tecidos – e como esse processo é alterado por excesso ou restrição energética e pelo exercício crônico.

Essa abordagem ajuda a explicar porque pessoas com estoques semelhantes de gordura podem responder de maneira muito diferente à insulina e ao esforço físico.

O encontro também reforçou a aproximação entre pesquisa e prática profissional. O Prof. Dr. Estevão Scudese, pesquisador nas áreas de fisiologia do exercício, envelhecimento e metabolismo mitocondrial, participou da atividade ao lado de Murilo Guerra, ícone da Educação Física Nacional e Sérgio Taldo, entusiasta destes encontros na cidade e promotor do blog “Ctrl+Café”.

Na foto 📸: Prof. Dr. Estevão Scudese (Academia Aeróbica), Dr. Rolando Ceddia (York University / Muscle Health Research Centre) e Sérgio Taldo (Ctrl+Café)

Ao levar esse debate para dentro de uma academia, a iniciativa destacou uma ideia central: exercício físico é também uma intervenção metabólica, capaz de influenciar a forma como o organismo administra energia e responde a sinais hormonais.

EM UMA FRASE

Flexibilidade metabólica é a capacidade de ajustar o combustível ao contexto; o exercício ajuda o músculo a fazer essa transição de forma mais eficiente.

Sobre o palestrante

Dr. Rolando Ceddia é professor associado da School of Kinesiology & Health Science da York University, em Toronto, Canadá. Sua pesquisa concentra-se em metabolismo, fisiologia do exercício, nutrição, obesidade e diabetes, com ênfase no uso de glicose e ácidos graxos pelo músculo esquelético e pelo tecido adiposo.

Informações acadêmicas do palestrante: York University / Muscle Health Research Centre.


Uma resposta para “Petrópolis reúne ciência e exercício em palestra sobre flexibilidade metabólica e saúde”

  1. Avatar de Murilo Guerra
    Murilo Guerra

    Matéria maravillhosamente bem escrita. Parabéns, Sergio!

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